sábado, 22 de dezembro de 2007

Querido Pai Natal:

Querido Pai Natal:
Eu tenho me portado muito bem. Raramente digo mal dos senhores da Câmara (só quando é preciso), por isso mereço uma prenda.
Numa terça-feira fui à Câmara com o meu pai – como já tinha começado a festa do natal, aquela que os grandes chamam "Natal BES", pensei que te ia encontrar naquelas ruas todas bonitas, cheias de luzinhas amigas do ambiente, mas não tive sorte – ele ia falar com um senhor muito importante, às 4 horas, e depois levava-me à tua aldeia.
Quando chegámos à Câmara, subimos ao primeiro andar e havia lá tanta gente que eu pensei que iam dar brinquedos. O meu pai explicou-me que todos aqueles senhores estavam à espera e que nós também teríamos de esperar. Já lá estávamos há muito tempo e os senhores tinham todos cara de chateados, falavam uns com os outros e diziam que era sempre a mesma coisa. Muito tempo depois, percebi que iam falar com um tal vereador (não sei o que é, mas eles chamaram-lhe isso).
Iam saindo senhores muito importantes. A certa altura, todos fizeram silêncio quando uma porta se abriu – pensei que eras tu, mas o meu pai disse-me para dizer boa noite ao Senhor Presidente. Ele, todo sorridente, deu-me uma pancadinha na cabeça e disse: Então, estão à espera de consulta? E rapidamente desceu as escadas (parece que era o senhor mais importante).
Já era muito tarde, quando finalmente a tal porta da “consulta” rangeu e chamaram o nome do meu pai. O tal vereador chama-se Pedro, era simpático, mas eu tive muito medo de estragar aqueles papéis e livros espalhados por todo o lado, até no chão. O meu pai falou muito com o senhor Pedro (eu não percebi nada) e no fim estavam de acordo – afinal, parece que a culpa é dos técnicos.
Com tudo isto, já não consegui ir a tempo de visitar a tua aldeia e fábrica de brinquedos porque já estavam fechadas. Mas fui ver na Internet.
Querido Pai Natal, estes senhores têm um site muito bem feito, têm um balcão virtual, TV online, e outras coisas online e lineon. Porque é que ainda têm de ficar todos chateados, horas a fio, à espera da “consulta”?
Não te vou pedir brinquedos, só quero que tu arranjes uma maneira de o meu pai e os outros senhores não voltarem a estar tanto tempo à espera.
Se não o conseguires com o choque tecnológico, oferece uma ampulheta ao Senhor Pedro. E, já agora, tenta saber porque é que os desenhos das casas demoram tanto tempo para serem vistos.
Se me deres esta prenda, prometo continuar a portar-me bem. Para o ano, volto a escrever-te.

1 comentário:

Um dos desgraçados de terça-feira disse...

Pois é, isto já não vai lá com cartas ao Pai Natal. Todos sabemos os motivos que provocam a morosidade nos processo de licenciamento de obras particulares.Todas as terças-feiras houvem-se lamentos dos tais "senhores" que esperam horas e horas depois da hora marcada para a entrevista com o Sr. Pedro Félix. A opinião unânime é que exite demasiado zelo da parte de uma técnica que faz a apreciação dos projectos.Quando a ARROGÂNCIA e a PREPOTÊNCIA estão de mãos dadas com a legitimidade e a lei, só pode resultar em BUROCRACIA... Ser-se EXIGENTE não é sinal de COMPETÊNCIA!
Resultado: os decisores políticos assobiam para o lado e quem sofre na pele é quem tem necessiade e é obrigado a licenciar seja o que for.Acresce daí o avolumar de processos que andam de gabinete em gabinete e no final todos vão dar ao vereador para serem indeferidos com base no parecer da técnica... que nem sempre são de origem e matriz técnica. Tenho a convicção que todos sabem os motivos e não compreendo porque não chamam a atenção dentro da legalidade e normas para que a lei seja intrepertada e aplicada como em todas as outras câmaras...